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oi, meu nome é aline
e odeio falar sobre eu mesma. nunca sei o que é relevante. portanto, a única coisa que consigo dizer sobre esse tema é "I'm just trying to be a better person."
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Anorético.
28 de março de 2008 @ 23:45
Começarei contando um pouco sobre a protagonista desta história.
A vida inteira eu residi na Rua Souza Franco número 852. E ao lado deste prédio existe uma vila onde sempre moraram famílias de classe baixa. Exceto, talvez, pela última. O Dino(era assim que meu pai gritava bêbado pela varanda em todo Ano Novo) conseguiu reformar a casa e a deixou bem bonitinha. Mas todo o resto dos moradores eram bem pobrinhos. Mas sempre foram pessoas bem honestas. Um dos porteiros que trabalhava onde eu morava era de lá. E por causa dele minha mãe conheceu a Dona Conceição. Uma dessas negras velhas, mas que não aparentam envelhecer por 15 anos, que fala pelos cotovelos e sempre sai gritando pelos netos não ligando a mínima pra que horas é. Ela sempre foi magra, com um lenço amarrado na cabeça, vestinho bem de vovó e chinelos de vovó. Descrevi pra terem uma noção da figura. Minha mãe a conheceu, porque como todo bom médico tem a obrigação de tratar dos vizinhos. Portanto, desde a época que minha memória não se lembra, minha mãe conversou com Dona Conceição. E ela sempre contara as histórias da família e do bairro. Lembro de quando tinha uns 14 anos e estava indo pro ballet, até que a senhora me pára e diz: - Aline, minha filha... Você pode pedir um favô pra sua mãe? É que meu remédio acabou e ela me arruma amostra de grátis. E tô precisando dele demais, sabe? Meu intestino é preso e meu côco tá todo preso... Não vou no banheiro tem uns 3 dias... Já tá doêno, sabe? - Arh... Ah, tá, Dona Conceição... Falo com ela hoje mesmo... Agora tenho que ir porque tô atrasada! Mas vim aqui contar a mais nova da velha. Pra melhor entendimento, Gabriel é o melhor amigo da minha irmã e sempre morou do outro lado da rua na Souza Franco. Exatamente em frente ao prédio e à vila da Dona Conceição. (Ah, a vila é realmente conhecida assim. Até porque a velha tem uma certa voz no morro. Acho que 2 netos dela estão trabalhando pro tráfico, pra desgosto da mãe e da avó.) Por essa razão, a mãe do Gabriel também conhece Dona Conceição. Aliás, a mãe dele por ser dona de casa tem muito mais contato com a velha do que minha mãe ou alguém do prédio. E todo mundo sabe: em todo bairro tem fofoca! Quando alguém casa, se muda, assassina, morre, tem filho ou sai pelado na rua, todas as pessoas ficam sabendo. No caso da Souza Franco a Dona Conceição é uma das principais fofoqueiras. Por volta de 2 semanas o pai do Gabri, Tio Miguel, morreu de aneurisma cerebral. Talvez a Dona Conceição tenha escutado a Tia Fátima contando isso pra alguém por ali e resolveu contar a fofoca. Ela até procurou se informar sobre o que é um aneurisma. Até que num belo dia Tia Fátima escuta: - É! O Miguel morreu de ANOREXIA! Coitado... Ele não comia, não comia, foi ficando magrinho, magrinho... Até que foi pro hospital e morreu de fraqueza... Isso que é telefone-sem-fio, hein? |